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HALTEROFILISMO

 

 

 

Nada melhor para abrir esta página do que apresentar a maior glória do Ginásio na modalidade.

PEDRO CARVALHO, 25 vezes Campeão de Portugal (1978-2001), Campeão da Europa de Masters (Kolobrzeg – Polónia – 2004), Campeão do Mundo e tri-recordista  mundial de Masters (Baden – Viena – Áustria – 2004)

 

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Ø      PARA MAIORES DE 14 ANOS

 

Ø      INSCRIÇÕES NA SECRETARIA

(PAVILHÃO GALAMBA MARQUES)

 

Ø      TREINOS: DIAS ÚTEIS, DAS 18 ÀS 20 HORAS

        NA SALA ADALBERTO CARVALHO

 

 

 

GÉNESE DO HALTEROFILISMO

O halter figura no nosso emblema desde a fundação, o que pressupõe ter o levantamento de pesos constituído uma das actividades iniciais do Clube, incluído nos Saraus de Ginástica.

Mas a Secção só passou a existir de forma organizada em 1956, conforme descreve o seu fundador, José Fernandes, no artigo “Génese do Halterofilismo”.

 

   

 

"Entre 1953/1954, entusiasmei­-me pelo levantamento de pesos com os irmãos Ataídes – o Zé e o Quim –, de tradicional família gina­sista, e o Gomes de Almeida – filho do dono do jornal O Figueirense, ­influenciados pela leitura de revistas de culturismo, O Zé Ataíde comprou uma boa quantidade de pesos, alguns dos quais é possível que ainda se encontrem no Clube, e começámos a fazer levantamentos numa dependência da casa dos manos Ataídes – na Rua da Fonte.

 Mas como o barulho provocado com o bater dos pesos no soalho era bastante incomodativo para os moradores do prédio, resolveu-se pedir uma sala à Direcção do Ginásio, a qual nos foi cedida – a penúltima do lado esquerdo de quem sobe as escadas. Lá nos ins­talamos e adquirimos uns estica­dores -luxo para essa altura.

Frequentávamos a sala depois da saída dos nossos empregos, e os "cabedais" começaram a aparecer! Entretanto esta sala era demasiado pequena para o movimento que já se verificava e uma vez mais nos dirigimos à Direcção do Clube, agora a solicitar para irmos para um canto do vasto salão do rés-do-chão.

E assim aconteceu (o Ginásio tem uma queda especial para o lançamento de novas modalidades na cidade!). Equipávamo-nos nuns balneários então existentes no salão e que mais tarde tive conheci­mento tinham sido demolidos., por novas exigências funcionais do salão (muitas vezes nos encontra­mos com os basquetebolistas e jogadores de ténis de mesa na hora de tomar banho).

Existia no salão, reminiscências da prática de ginás­tica aplicada no clube, umas argo­las, onde um rapaz de aspecto franzino, de seu nome Talhadas Guerra, fazia, para se entreter, alguns movimentos.

Consegui influ­enciar o Talhadas Guerra a apanhar o gosto pelo "ferro". E foi tal o seu entusiasmo que viria a ser figura cimeira no halterofilismo a nível nacional na sua época.

O fermento estava lançado. E foi então que os meus companheiros de treino especialmente o Gomes de Almeida –  verificando as minhas marcas e do Talhadas Guerra, este mais tecni­cista do que eu, sugeriu a nossa ida a um Torneio organizado pelo Ate­neu de Lisboa. Estávamos em 1956.

 

 

Lá fomos. E tivemos comporta­mento meritório, regressando exta­siados pelo material que nos foi dado ver e utilizar (que diferença em comparação com o nosso!). No ano seguinte – 1957 – já fomos disputar o Campeonato Nacional, que teve lu­gar no Ginásio Clube Português.

Sucesso completo! Arrecadámos dois títulos para o Ginásio. Estava lançado o halterofilismo no Clube, que tantas glórias lhe tem trazido (é uma fábrica de campeões que não para!).

Mais tarde, em Angola, onde me tinha radicado, vim a saber que o Talhadas Guerra tinha sido recor­dista nacional na sua categoria, o que me encheu de orgulho.

Repare-se que quando fui dispu­tar o primeiro campeonato nacional já tinha 37 anos!

……………………………………………………………………………………

Ainda do Ginásio lembro-me do então jovem Jesus (que, segundo informações, tem acompanhado até agora o halterofilismo do Clube e que teve bastante influência na projecção alcançada pelo Ginásio nesta disciplina) entre outros, cujos nomes de momento não me ocorre, que apanharam o "bichinho" do "ferro".

Seja-me permitido fazer um apelo à juventude da minha terra: não tenham medo desta modali­dade, pois pode ser praticada até muito tarde; por mim falo, pois tenho 70 anos de idade e ainda pratico pesos leves, e assim me consigo manter em forma."

Vai d’Arrinca, nº3 (IV série), Novembro 1989

 

Em 1957, José Fernandes conquista o primeiro título nacional (Pesados ligeiros) e Talhadas Guerra, que viria a ser o seu sucessor, obtém o 2º lugar na categoria de mínimos.

Na mesma categoria, Talhadas Guerra é campeão de Portugal em 1958 e 59, neste ano com dois recordes nacionais.

No ano seguinte (1960) classifica-se em 2º, seguindo-se um tempo de inactividade até 1963, devido à sua ausência para cumprir serviço militar.

A Secção volta a funcionar em Abril de 1963, no Posto Náutico, e Talhadas Guerra regressa aos títulos nacionais em 1964, nos campeonatos realizados em Lisboa, na sede do Ginásio Clube Português.

Novo título em 1965, ano em que, no mês de Maio, a Secção volta à Sede da Rua dos Combatentes.

 

 

 

UMA ENTREVISTA DE TALHADAS GUERRA

 

 

EU ERA RAQUITICO ! DEVO AO HALTEROFILISMO O QUE A NATUREZA ME NEGOU…


- Quando principiou a sua carreira?
- Em 1956. Vim aprender com José Fernandes, um ginasista que desde há muito

  tempo se vinha a entregar à modalidade com toda a devoção. Vive, agora, no

  Ultramar.
- Muitos praticantes?
- Sim, alguns. Mas cedo desistiram É um desporto que exige a entrega total de nós

  mesmos, sem condições.
- Ficaram então os dois?
- Mais ninguém. Mas, caso curioso, eu fiquei não tanto por paixão pela modalidade

  mas, sobretudo, por necessidade imperiosa, por sentir que poderia melhorar a

  minha deficiente condição física.
- Mas, porquê? Você era fisicamente diminuído?
- No mais elevado grau. Eu era raquítico! Devo ao halterofilismo o que a natureza

  me negou!...
- Quer dizer: Aquilo que hoje é, um campeão de força e de saúde, deve-o,

  unicamente, aos pesos e halteres?
- Sem dúvida. É a este desporto que se deve a recuperação de um homem.
 


PARECÍAMOS PAI E FILHO.
FATOS DE TREINO DE FLANELA BRANCA, LEMBRAVAM FANTASMAS EM NOITE DE TROVÕES.
 


- Foi em Lisboa, no segundo campeonato em que intervim Ia acompanhado José

  Fernandes, o outro halterofilista do Ginásio de que já lhe falei. Todos os

  adversários iam primorosamente equipados. Nós os dois, eu, mínimo, ele,

  pesado, parecíamos pai e filho. Tínhamos a aparência duma família pobre. Fatos

  de treino de flanela branca lembravam fantasmas em noite de trovões … Os

  halterofilistas, como deve saber, usam cintos especiais. Eu, nem sabia o que era

  isso. O Zé Fernandes, então, levava um cinto comprado à pressa no mercado cá

  da terra… Em vez de botas eu levava sapatilhas, o Zé utilizou os próprios sapatos

  que levara para Lisboa. Das camisolas, nem falar… Eram de basquetebol e

  tinham uns grandes algarismos na frente, com outros, muito pequeninos, na parte

  de trás. Não lhe digo nada! Foi uma chacota!... Mas tudo deixou de rir quando

  batemos os bem equipadinhos por larga margem e abalámos para a Figueira

  com os títulos nacionais…Bons tempos!...

 

ENTREVISTA DE JOSÉ MARTINS – VAI D’ARRINCA !... Nº. 17 - Abril / Junho 1965

 

 

       Os Campeonatos Nacionais de 1966 tiveram lugar na Sede do Ginásio, e Talhadas Guerra, além de vencer a sua categoria, sagrou-se Campeão absoluto.
       Nesta edição participa pela primeira vez Adalberto Carvalho, que não obstante iniciado pouco antes na modalidade, em Janeiro desse ano, obtém a 2ª posição na categoria de levíssimos.
 


Nesta foto, com Talhadas Guerra no pódio, vêem-se, da esquerda para a direita, Dr. Melo Costa, Sousa Cardoso e Severo Biscaia

 

No mesmo ano, Talhadas Guerra conquista pela segunda vez (a primeira foi em 1965) o Troféu do Comité Olímpico e, integrado na Selecção da capital, vence a sua categoria no encontro Sevilha - Lisboa.

É também o ano em que a Secção organiza o 1º Torneio Popular de Levantamentos Culturistas.

1967 marca o primeiro titulo nacional de Adalberto Carvalho ( Iniciados – Leves).

 

Adalberto Carvalho

 

Talhadas Guerra está ausente dos Campeonatos, mas volta em 1968, novamente na Figueira, para se sagrar Campeão Nacional da sua categoria, bater mais uma vez dois recordes nacionais e ser pré – seleccionado para os Jogos Olímpicos.

 

 

Em 1969 regista-se o oitavo e último titulo de Talhadas Guerra, também seleccionado para o Portugal – Espanha, e Adalberto Carvalho volta a ganhar em Iniciados – Leves.

 

Neste ano concluem-se as novas instalações para treinos, nas traseiras do edifício da Rua dos Combatentes, as quais vão servir até 1987, ano em que são substituídas, ainda no mesmo local, pelo espaço do tanque – piscina, entretanto aterrado, onde a modalidade se praticou até à inauguração do Pavilhão Galamba Marques, em Julho de 1992.

Após uma fase em que a Secção esteve reduzida a “actividades de manutenção e valorização física” (Nota de 1973), inicia-se em 1978 a imparável ascensão de Pedro Carvalho, campeão nacional júnior nesse ano, dando inicio a um período de ouro da modalidade, no qual se sucederam os títulos nacionais, os records e as participações internacionais de bom nível.

 

CAMPEÕES DE PORTUGAL (1978-2001)

 

1978 – Juniores – Pedro Carvalho;

1980 – Absoluto – Pedro Carvalho;

1981 – Absoluto – Pedro Carvalho;

1982 – Seniores – Pedro Carvalho;

1985 – Juvenis e Juniores – Jorge Santos;

1986 – Seniores – Pedro Carvalho;

1988 – Seniores – Pedro Carvalho;

           - Juniores – Daniel Duarte, Joaquim Ferreira, Jorge Santos;

           - Juvenis - Nuno Alves;

1989 – Seniores e Absoluto – Pedro Carvalho

            - Juniores e Juvenis – Nuno Alves;

 

Nuno Alves

 

1990 – Juniores – Carlos Lemos;

           - Feminino – Susana Cláudia Sousa;

 

Susana Sousa, a Primeira Campeã Nacional

 

1991 – Seniores e Absoluto – Pedro Carvalho;

           - Absoluto – Nuno Alves;

           - Juvenis – Bruno Carvalho;

1992 – Absoluto – Pedro Carvalho;

           - Absoluto – Nuno Alves;

 

Bruno Carvalho - 1992

 

1993 – Absoluto – Bruno Carvalho;

           - Juniores Fem. – Ana Pereira;

           - Juniores Fem. – Sónia Grácio;

           - Juvenis – Mauro Correia;

 

Mauro Correia

Da esq. para a dir. – Ana Santos,
Adalberto Carvalho (treinador), Lara Atalaya
e Cristina Boaventura

 

1994 – Seniores – Jorge Santos;

           - Seniores – Pedro Carvalho;

           - Juniores – Bruno Carvalho;

           - Juniores Fem. – Cristina Boaventura;

           - Juniores Fem. – Lara Atalaya;

           - Juvenis – Nuno Lemos (record nacional);

 

Nuno Lemos

 

1995 – Seniores e Absoluto – Pedro Carvalho (record nacional);

           - Absoluto – Jorge Santos

           - Juvenis – Krispesh Lalá;

 

 

Em 1995, no 1º Centenário do Ginásio foi dado o nome de Adalberto Carvalho à Sala de Halterofilismo do Pavilhão, vendo-se na foto o homenageado a descerrar a respectiva placa.

 

 

 

A Sala Adalberto Carvalho em dia de competições - 1996

 

 

1996 – Absoluto – Pedro Carvalho;

           - Juniores – Nuno Lemos;

           - Juvenis – Jorge Ramos;

           - Juvenis Fem. – Sandra Fernandes;

 

Nuno Lemos e Jorge Ramos

 

1997 – Absoluto – Pedro Carvalho;

          - Seniores – Cláudio Simões;

          - Juniores – Nuno Lemos;

          - Juvenis – Jorge Ramos;

1998 – Seniores e Absoluto – Pedro Carvalho;

          - Juniores Fem. – Olga Cação;

1999 – Absoluto – Pedro Carvalho

          - Seniores – Cláudio Simões;

          - Juniores – Jorge Ramos;

          - Juniores Fem. – Sandra Monteiro;

          - Equipas Seniores

 

Cláudio Simões

 

Jorge Ramos e Sandra Monteiro

 

2000 – Seniores e Absoluto – Pedro Carvalho;

          - Juvenis – Nuno Carvalho;

          - Juvenis – Nuno Carvalho;

          - Juvenis Fem. – Rute Piedade;

          - Juvenis Fem. – Tânia Santos;

          - Equipas Fem. – Catarina Mota; Ana Esteves; Rute Piedade; Tânia Santos;

 

No Pavilhão do Luso no Barreiro – da esq. para a dir.: Prof. Fonseca Antunes, Tânia Santos, Rute Piedade, Bruno Martins, Nuno Carvalho e Adalberto Carvalho (treinador)
 

2001 – Seniores e Absoluto – Pedro Carvalho;

           - Juvenis – Nuno Carvalho;

           - Juvenis – Tiago Costa;

           - Juvenis – Fábio Fernandes;

           - Juvenis Fem. – Ana Esteves;

           - Equipas Masc.

 

NOTA: Quando, num determinado ano, se relacionam mais de um título no mesmo escalão etário, ou absoluto, significa que foram obtidos em categorias (pesos corporais) distintos.

 

                 De 2002 a 2006 não se realizaram Campeonatos Nacionais, em virtude da situação de inactividade da Federação, à qual foi retirado o regime de “utilidade pública”, pelo Instituto do Desporto.


                O Ginásio não esteve inactivo, promovendo o intercâmbio com a Galiza e Astúrias e participando nos Torneios da Comissão Nacional de Masters.
               

               Só em 2007, em grande parte devido aos esforços do Ginásio e do seu dirigente histórico, Adalberto Carvalho, foi possível reactivar a Federação, voltando a realizar-se Campeonatos.


               Em Junho, na Baixa da Banheira, para Juniores e Juvenis, tendo o Ginásio conquistado sete títulos individuais e de equipas, através de Luís Santos (Júnior), Pedro Moçamedes, Volodymyr Batyuk, Ana Oliveira, Ana Cavaleiro e Bruna Nascimento.
 

Baixa da Banheira, Junho de 2007

 

Em Novembro, na Figueira da Foz, decorreram os Campeonatos Nacionais individuais absolutos e de equipas, com a vitória do Ginásio em equipas femininas através de Marina Carvalho, Ana Oliveira, Ana Cavaleiro e Bruna Nascimento.

 

 

PARTICIPAÇÃO INTERNACIONAL

 

A participação em Torneios internacionais foi uma constante nos anos 80 e 90, destacando-se Pedro Carvalho, o qual, para além de ganhar vários torneios – Cullera (Espanha) em 1979 e 80, Burgos em 1983, Vigo em 1987, Salamanca em 1990 e Gasteiz (Vitória) em 1991- obteve boas classificações nos Campeonatos da Europa e do Mundo.

Foi 10º nos Europeus de Gasteiz (Vitória) em 1984, 11º nos Mundiais de Estocolmo, em 1985 e novamente 10º em Cardiff (País de Gales), em 1988.

Nos Campeonatos da Comunidade Europeia, classificou-se em 7º em 1988 (Estrasburgo) e em 1989 (Luxemburgo).

 

Pedro Carvalho com a Bandeira Nacional, no desfile dos Europeus de Vitória – 1984

 

 

 O mesmo atleta em actuação nos Mundiais de Estocolmo – 1985

 

 

             Já na categoria de Masters, Pedro Carvalho obteve em 2004 as duas grandes vitórias que evocámos no início desta página dedicada à modalidade: Campeão da Europa em Kolobrzeg (Polónia), e do Mundo em Baden (Viena de Áustria), sagrando-se simultaneamente tri-recordista mundial.

            No mesmo ano, o seu irmão Adalberto Carvalho, principal dirigente e treinador da Secção há mais de três décadas, foi 7º classificado no Campeonato da Europa de Masters.

 

 

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